Segunda-feira, Outubro 08, 2007

O maior fora do ano

Estávamos sentados em um bar, bebendo (lógico) para comemorar a virada de meu aniversário.

Após umas duas doses de vodka e água de côco (uma bebida espetacular para esse calor nojento desse inferno de cidade seca e suja), resolvi pedir outra... vi um cara de camisa social branca (!) para dentro (!!) da calça social preta (!!!) e chamei:

- Garçon, traz mais um pra mim?

- O quê? - respondeu o rapaz.

- Mais um desses! - disse, mostrando a caixinha da água de côco e a dose da vodka quase no fim.

O cara não escutou, veio até a mim e perguntou:

- Desculpe, não te ouvi.

- Traz mais uma dose de vodka e água de côco, por favor??

- Ah, amigo, eu não trabalho aqui. - respondeu educadamente o cara com roupa de garçon.

- Desculpe foi engano. - me desculpei com minha educação londrina.

(A Andréa quase vomitou de tanto rir depois)

Acontece, né?

Quinta-feira, Outubro 04, 2007

Ficção

Já fazia um tempo que eles se encontravam. E todas as vezes era maravilhoso, tanto pra ele como pra ela. Mas havia um pequeno problema: ela era noiva de outro.

Eles se conheciam há muito tempo, sempre foram amigos, mas nunca tinha rolado nada, pois ele acabara de sair de uma relação conturbada, pois sua ex-namorada fugiu com o chefe para a Koreia e ele perdeu a fé no amor.

Ela namorou muitos anos um cara que nunca tinha dado bola pra ela, sempre preferia seus amigos, até que assumiu ser gay. Desiludida, pegou seu carro e foi trabalhar de camareira em um hotel. Depois voltou pois percebeu que não adianta fugir de nada.

Nenhum dos dois tinha fé no amor, seus corações estavam muito partidos. Eles queriam partir os corações das outras pessoas para ver como era estar do outro lado da dor.

Depois que foi "chutado" pela sua ex, ele começou um vai-e-vem em relacionamentos com várias garotas diferentes, mas sempre terminando quando começava a ficar sério.

Ela começou a namorar um artista plástico que na verdade, não precisava dela, e sim de sexo. Ela se tornou um robô, sem o fogo que já teve algumas vezes na sua vida. Era tudo muito mecânico, frio e sem graça.

Um dia, ele e ela se reecontraram, pois como já disse, eram amigos. Ambos nutriam sentimentos pelo outro, mas nenhum deles nunca assumiu isso. Após várias doses e conversas diversas, ele beijou-a, e ela beijou-o de volta. Foi uma eternidade... lindo e perfeito. Mas aí que estava o problema: nada é perfeito. Após alguns encontros, ela disse que estava saindo com o outro, mas continuaram a ser ver ocasionalmente, as boas conversas e a química estavam sempre presentes, até que ele começou a gostar dela, e sentir ciúmes do outro. Ela também gostou dele, mas também gostava do outro, por ele ser diferente dele. Ela estava confusa. E a culpa afogava sua alma. Ela não queria machucar o outro, que já desconfiava dele. Ela dizia que ele era muito amigo dela, que realmente gostava dela, mas não rolava nada. E tapava o buraco desta forma, e assim foi por uns seis meses.

Mas os encontros continuavam... a saudade era muita.

Um dia, cansada de deixar sua alma sofrer, ela contou pro outro sobre ele. O outro ficou atônico, estático, sem reação... só disse: -"vai embora...". Ela chorou, chorou, chorou... não tinha ninguém para falar, então ligou pra ele. Eles conversaram muito, ela se aliviou, a culpa saiu da alma e ele parou de sentir ciúmes.

Aquele era o momento perfeito para os dois, ambos estavam com as almas limpas e desimpedidas... se o outro não estivesse parado na porta com uma espingarda na mão. Primeiro, o outro atirou nele, no peito. Caiu morto no chão. Ela começou a entrar em pânico, mas o outro atirou na sua cabeça, que se despedaçou, manchando a parede de vermelho... Logo em seguida, ao saber o que tinha feito, o outro se enforcou no varal.

(ou...)

Aquele era o momento perfeito para os dois, ambos estavam com as almas limpas e desimpedidas... e assim foi e é até hoje. Ele e ela se tornaram uma pessoa só.

(ou...)

Cada um seguiu suas vidas separadas, mas com aquele negócio mal resolvido, com direito a sonhos sem nexo e memórias fantasmagóricas.

(mas...)

Porque as coisas têm que ser tão complicadas se podem ser tão simples?

Segunda-feira, Outubro 01, 2007

B.O.P.E.

Graças ao bom download (de alguém), pude ver um excelente filme brasileiro, que ultimamente está nas graças da crítica: o Tropa de Elite. Realmente, o filme é do caralho! Retrata, com uma realidade impressionante, a vida dos policiais do BOPE, uma unidade emergencial da polícia carioca para casos extremos, (ou seja, sempre), algumas semanas antes da chegada do Papa em 1997. O Wagner Moura é o cara mesmo, apesar de ele ter sido o assassino da novela (provavelmente para pagar as contas), o cara destrói na interpretação do Capitão com crises existenciais e stress (reparem na cena da granada, uma das melhores do filme).

Muita gente fica falando que policial é escroto, não respeitam ninguém, são os donos da verdade e tals, mas na realidade, os caras estão lá para defender a lei... de um jeito ou de outro. O problema, é a merda desses vagabundos de políticos que não se dão o trabalho de aumentar os subsídios da Defesa, e alguns dos policiais têm que "usar de alguns artifícios" para se acharem mais. É foda. E muita gente acha que todos os policiais são corruptos (assim como os políticos), põem tudo no mesmo saco, o chamado julgamento pessoal.

Também têm aqueles filhos das putas dos traficantes (burros, mas burros) que matam (ou mandam matar) pessoas por causa de drogas. É complicado falar nisso, mas na verdade, uma solução para acabar com esse tráfico sem limites é começar a legalizar, de pouco em pouco. Talvez a primeira a ser legalizada, é a cannabis sativa, por ser a "droga ilícita" mais leve, e como, no Brasil, tem inúmeros usuários dela, o tráfico do fumo ia despencar, e muito. Mas tem aquele pessoal cabeça dura que não aceita: dizem que maconha leva a outras drogas. É verdade, mas e o álcool, ou a ceva, não leva? Porque essa hipocrisia? Porque tem gente que não tem controle de seus auto-controles, e acabam destruindo famílias e a sis próprios, e também por causa dos nossos amados políticos, que devem armar maracutaias com os traficantes e ter uma porcentagem da grana de tráficos depositados nas suas contas fora do país.

Esse país tá fodido mesmo, não tem jeito. Tem muita gente disposta a mudar, mas não têm organização (como a nossa polícia).

Mas tudo isso é muito paradoxal, pois, afinal eu vi um filme pirata!
Eta país bagunçado!

Mas enfim, vejam o filme para pararmos de julgar as pessoas e tomarmos um rumo na vida, afinal, algo precisa mudar, né?

Segunda-feira, Agosto 06, 2007

Agosto

Neste exato momento, mais precisamente as 17:54 desta segunda feira, dia 06/08/07, eu estou cego; fui ao oftalmologista e pinguei aquele colírio que dilata as pupilas... meu Deus... Eu nem sei o que estou escrevendo... legal isso, né?

Agosto é o mês do Cachorro Louco, e ontem eu vi dois: um Doberman e um PitBull perdidos... estávamos tomando umas e outras no bar da Cidinha (onde vários fantasmas são clientes, além de nós, os zumbis), quando chegam os dois perdidos... um pequeno e outro grande, ambos mortais... ou não? Não. Eram de boa.. ficaram lá com a gente, tranquilíssimos! Depois chegaram os donos: um moleque sem educação que nem agradeceu o fato de a gente fazer sala pros dois, e o pai, um gordo que devia estar meio bêbado... disse que estava a meia hora procurando os dois.


Agora... imagine se você estiver andando no bairro e ver dois cães assassinos andando!?
Que você faria?
(Eu daria um tiro - se tivesse armado, lógico - e enxergando!)

Agosto também é o mês da seca... e da minha bronquite... shit.

Quinta-feira, Julho 19, 2007

1 + 1 = 11?

O senhor Sérgio era uma pessoa muito agradável. Ele adorava bajular as pessoas que gostava e ainda, as ajudava em tudo que era possível e necessário.

Uma vez, por exemplo, ele ajudou a um pobre senhor, necessitado de ajuda alimentar, dando um prato de arroz, feijão, bife e batata frita... o pobre senhor disse que o senhor Sérgio seria abençoado eternamente por Deus e Jesus Cristo.

Mas senhor Sérgio era também uma pessoa muito reservada. Sempre parecia feliz, com um enorme sorriso amarelo, devido a altas doses de cafés, seu vício maior; mas ele não era, de fato, feliz.

Quando jovem, senhor Sérgio, conheceu Juliana, uma bela garota com olhos cor de chuva, cabelos ondulados e dourados e com a pele lisa como de um pêssego maduro. No início, se tornaram amigos; mais pra frente, se tornaram grandes amigos, o que os levou a serem amigos coloridos. Só isso: amigos coloridos. Quando queria, Juliana beijava Sérgio, fazia sexo com ele, mas ao mesmo tempo, desejava Gerson, o garoto mais bonito de não sei aonde, que tratava-a assim como ela tratava Sérgio: estepe. Um dia, Sérgio cansou de ser usado e largou dela, e não se envolveu amorosamente com mulheres, somente as putas, de luxo ou lixo... ele não ligava mais pro amor.

Um dia, numa bela manhã de quinta-feira, senhor Sérgio, a caminho do serviço (ele era funcionário público na Secretaria da Fazenda de sua cidade), a pé, foi surpreendido por um velho e pobre transexual, parecendo um ser andrógino e bizarro vindo do inferno, que queria roubá-lo. Mas senhor Sérgio não tinha dinheiro, e o homem-mulher deu-lhe três tiros: dois no rosto e um no estômago, levando senhor Sérgio à morte, sem filhos e sem mulher. Seus pais haviam morrido também há muito tempo atrás, então ninguém foi no velório dele, pois seus colegas de trabalho não podiam sair da Secretaria.

O nome do traveco era Gerson.
O Gerson!

Terça-feira, Julho 10, 2007

Entreatos

Então... o sr. Carlos Torto fica me falando pra atualizar o blog, atualizar o blog e tals.... tudo bem, vamos atualizar... (vejam o link para esse título)

Meu fim de semana prolongado foi divertidíssimo, com algumas surpresas adoráveis... encontrei os manos das antigas, fui (indiretamente) ameaçado de morte, e levei a Zorra (total) e o Papai Noel pra passear (ou era o Grinch?)

Ontem fui à casa do Ciro, eu não estava tomando nem umas nem outras porque nesse feriado teve várias festas (Sábado - festa do Dib, no Penélope, que eu fiquei MUITO bêbado, mas também MUITO alegre... não daqueles bêbados chatos que enchem o saco dos outros e tals; Domingo - festa do Sr. Danilo Psico, em sua chácara, um adorável lugar rodeado de árvores, exalando cheiro de porco - eles criam lá atrás - e balanços; sim, balanços... imaginem um monte de marmanjos e marmanjas de mais de 25 anos, balançando... bêbados, gritando... é o caos) e nem bebi. Por isso.

Mas enfim, falando em Torto, ontem ele apareceu no Ciro (aquele lugar que eu não estava bebendo por... por aquilo lá em cima), de muletas! Ele estava lutando (ou seja, pegando em outro cara) deu um chute no cotovelo do cara, e quase teve que amputar o pé, coitado.

Depois, apareceu um gambá, ou furão, ou racoon, sei lá que porra é aquele bicho nojento, e o Sr. Torto, o lutador, saiu correndo de medo do bicho (sim, correndo! O pé dele ficou bom!!! Adrenalina cura a dor, minha gente!). Ele disse que o bicho morde.

Mas se ficar o bicho pega, não é?

Segunda-feira, Maio 21, 2007

Todos estão esperando...

Eu tenho medo de morrer porque estou vivo; quando morrer, não vou ter mais medo da morte porque vou estar morto.

Semana passada, tive algumas experiências estranhas (como sempre) com a morte.

QUINTA FEIRA:

Tudo começou com uma visita à uma funerária tradicional daqui de Ribeirão que eu estou atendendo. Fomos eu e o mestre Kamarão fazer uma visita a todas as instalações da empresa, incluindo o necrotério, onde ficam os mortos para serem preparados para o velório, como banho, maquiagem e vestimento. Tinha uma senhora lá, morta. Bem velha mesmo, nua, a pele cor de cera e os olhos em paz. Ficamos observando-a por um tempo, eu fiquei imaginando a vida inteira dela, fiz uma idéia fantasiosa do que ela fez enquanto viva, desde que nasceu, até aquela hora... que ela estava na mesa, morta.

De certa forma, isso me deixou meio confortado... eu até pensei: "putz, deve ser bem pior ver uma pessoa morrer, do que ver ela morta já..." - parece que Deus escutou meus pensamentos.

SÁBADO, 5h da manhã:

Estávamos eu, Thadeu do baixo, Rodolfo Bahia e mestre Zula (sim, o mesmo cara do Zé Carlinhos) voltando de uma "festa", quando testemunhamos um acidente: um Fox fechou uma moto, que colidiu com o carro lançando o motoqueiro no muro... os idiotas tentaram fugir, mas nós fomos atrás dos filhos da puta e os fizemos parar... voltamos à cena, para conversar com o motoqueiro, mas a cena que vimos vai ficar marcada pro resto das nossas vidas: o cara estava no chão, sob uma poça gigante de sangue, com o rosto desfigurado, ensanguentado, com um furo na cabeça, sua perna estava com o osso do fêmur para fora do joelho... e o pior era ouvir a respiração do cara, ofegante... horrível.
Foi juntando uma galera em volta, prostitutas, manos, um velho cheiradaço, etc... Ligamos pra "emergência" e esperamos os paramédicos chegarem... VINTE minutos, sim 20 minutos eles demoraram pra chegar... parecia uma eternidade. O cara lá, deitado, ensanguentado, todo fodido, com aquela respiração horripilante...
Cada um de nós teve uma reação diferente: Thadeu e eu, ficamos ao lado do cara, falando coisas "boas" pra ele (sei lá o que é "bom" ou "ruim" na hora que uma pessoa morre) e observando aquela situação cabulosa; Bahia, com seu sangue bahiano, queria bater nos dois gays (sim, eram dois homosexuais que atropelaram o cara), pois um ficava gritando, feito um pavão: "- Ai meu Deus, o que eu fiz?? Minha mãe vai me matar!!" (fucking loser). Já Zulu, esboçou a reação parecida com a do Zé Carlinhos: "- Ai, eu não acredito que eu to vendo isso, meu Deus, ajuda!" E ficava ligando de dois em dois minutos pra emergência... menino bom.
No fim, eles chegaram examinaram o cara, fizeram um "não" com a cabeça, sem muita esperança... e levaram o nosso amigo embora.
Thadeu, se inclinou em cima do sangue, tentando procurar algo, perguntei: "- Que você tá olhando aí, mano?" Ele: "-Nossa cara! Isso são os miolos dele!" E eram... eu vi os miolos do cara no chão, mano.
Fomos embora de lá... eu nem dormi direito... o rosto do cara tá estampado na minha mente até a presente data.
Na segunda feira, eu, com minha imensa curiosidade e capacidade de descobrir qualquer coisa, liguei no 193, falei com o cara do bombeiro, que me disse que o cara foi levado pro HC... liguei lá, e a mulher me disse que ele se chama Odair José e está em estado grave... Deus abençoe ele.

Como disse, não tenho muito medo de morrer, porque estou vivo... mas se fosse escolher um tipo de morte, com certeza escolheria a morte da velhinha... morrer sofrendo, na rua, sem tua família, com vários estranhos em volta deve ser... nem sei o que.

Afinal, a gente nasce e morre sozinho, né?